Hugo Barra é um dos criadores do novo serviço
domingo, 14 de fevereiro de 2010 18:29
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Rafael CabralNada de Vale do Silício. Um dos idealizadores do Buzz nasceu aqui pertinho, em Minas Gerais. Diretor de produtos móveis do Google desde 2008, o engenheiro Hugo Barra foi um dos responsáveis pelo nascimento da rede social integrada ao Gmail – que pode deixá-lo, segundo o blog Search Engine Land, por causa de questões de privacidade.
De Londres, Hugo comanda uma equipe de desenvolvedores que se estende do Canadá à Índia e liderou o projeto móvel com geolocalização do Buzz (já disponível no iPhone e em celulares com Android). Direto da Inglaterra ("e sofrendo com o frio"), ele falou com o Link sobre o mercado de web social.
Muita gente se perguntou, na semana passada, se precisamos mesmo de outra rede social. Afinal, qual a necessidade que o Buzz vem suprir?
O Gmail é um produto que sempre foi inerentemente social. O Buzz intensifica isso. Você agora pode se comunicar pela sua timeline, por e-mail ou Gtalk, de forma individual ou coletiva. Ao contrário de outras redes sociais, boas em uma coisa ou outra, quisemos conciliar esses vários tipos de conversa e fazer que todas ocorram da melhor maneira.
Não era essa a proposta do Wave?
É lógico que, parcialmente, nos inspiramos no Wave. No entanto, a função dos dois é diferente. Enquanto o Wave é muito bom para a colaboração entre pessoas que trabalham juntas e são conectadas, o Buzz é mais sobre compartilhamento e conversas. São complementares. Aqui no Google, uso o Wave para trabalhar e o Buzz para bater papo. É algo mais light.
Em que exatamente ele é diferente de outras redes sociais?
Nossa proposta é ajudar o usuário a encontrar aquilo que interessa, usando nossa experiência em buscas e classificação de informações. Com essa explosão das mídias sociais, é impossível se organizar e aproveitar todo o conteúdo. Não há ser humano capaz de digerir isso de forma tranquila. Queremos facilitar o processo de encontrar pessoas e ouvir ideias e recomendações – em que, de outro jeito, você nem prestaria atenção.
Inicialmente, vocês não anunciaram uma integração com o Facebook e nem permitem que se possa twittar do Buzz. Por quê?
Quisemos lançar um produto simples, rapidamente. Com o tempo, vamos ouvir as sugestões dos usuários e, com isso, decidir com quais serviços nos integraremos e de que forma faremos isso. Dois dias depois que o site entrou no ar, já fizemos algumas mudanças, e isso deve continuar. Não estamos descartando conexão com o Facebook ou maior participação do Twitter.
A intenção com a geolocalização é atrair parte dos 100 milhões de usuários móveis do Facebook? O Buzz compete com quem?
É um caminho estratégico rumo à web em tempo real, junto da busca social, e que facilitará a pesquisa por área e por proximidade de usuários. Quanto a concorrentes, não falamos e nem prestamos atenção neles: nosso interesse é o usuário.
Não é invasão de privacidade pedir que todos digam onde estão e usar essas informações em um sistema de pesquisa?
Esse tipo de crítica é injustificada. A informação geográfica só é postada se a pessoa autorizar. Nos comprometemos a usar esses detalhes só na nossa busca (que pode ser nos contatos ou em toda a rede). Nos comprometemos com a privacidade. Só depende do usuário. Quem quiser, coloca.
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Adilson de Almeida Jr
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