segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O brasileiro do Google Buzz

Hugo Barra é um dos criadores do novo serviço

domingo, 14 de fevereiro de 2010 18:29
por
Rafael Cabral

Nada de Vale do Silício. Um dos idealizadores do Buzz nasceu aqui pertinho, em Minas Gerais. Diretor de produtos móveis do Google desde 2008, o engenheiro Hugo Barra foi um dos responsáveis pelo nascimento da rede social integrada ao Gmail – que pode deixá-lo, segundo o blog Search Engine Land, por causa de questões de privacidade.

 

De Londres, Hugo comanda uma equipe de desenvolvedores que se estende do Canadá à Índia e liderou o projeto móvel com geolocalização do Buzz (já disponível no iPhone e em celulares com Android). Direto da Inglaterra ("e sofrendo com o frio"), ele falou com o Link sobre o mercado de web social.

 

 

Muita gente se perguntou, na semana passada, se precisamos mesmo de outra rede social. Afinal, qual a necessidade que o Buzz vem suprir?
O Gmail é um produto que sempre foi inerentemente social. O Buzz intensifica isso. Você agora pode se comunicar pela sua timeline, por e-mail ou Gtalk, de forma individual ou coletiva. Ao contrário de outras redes sociais, boas em uma coisa ou outra, quisemos conciliar esses vários tipos de conversa e fazer que todas ocorram da melhor maneira.

 

 

Não era essa a proposta do Wave?
É lógico que, parcialmente, nos inspiramos no Wave. No entanto, a função dos dois é diferente. Enquanto o Wave é muito bom para a colaboração entre pessoas que trabalham juntas e são conectadas, o Buzz é mais sobre compartilhamento e conversas. São complementares. Aqui no Google, uso o Wave para trabalhar e o Buzz para bater papo. É algo mais light. 


 
Em que exatamente ele é diferente de outras redes sociais?
Nossa proposta é ajudar o usuário a encontrar aquilo que interessa, usando nossa experiência em buscas e classificação de informações. Com essa explosão das mídias sociais, é impossível se organizar e aproveitar todo o conteúdo. Não há ser humano capaz de digerir isso de forma tranquila. Queremos facilitar o processo de encontrar pessoas e ouvir ideias e recomendações – em que, de outro jeito, você nem prestaria atenção.   

 


Inicialmente, vocês não anunciaram uma integração com o Facebook e nem permitem que se possa twittar do Buzz. Por quê?
Quisemos lançar um produto simples, rapidamente. Com o tempo, vamos ouvir as sugestões dos usuários e, com isso, decidir com quais serviços nos integraremos e de que forma faremos isso. Dois dias depois que o site entrou no ar, já fizemos algumas mudanças, e isso deve continuar. Não estamos descartando conexão com o Facebook ou maior participação do Twitter.

 

 

A intenção com a geolocalização é atrair parte dos 100 milhões de usuários móveis do Facebook? O Buzz compete com quem?
É um caminho estratégico rumo à web em tempo real, junto da busca social, e que facilitará a pesquisa por área e por proximidade de usuários. Quanto a concorrentes, não falamos e nem prestamos atenção neles: nosso interesse é o usuário.

 

 

Não é invasão de privacidade pedir que todos digam onde estão e usar essas informações em um sistema de pesquisa?
Esse tipo de crítica é injustificada. A informação geográfica só é postada se a pessoa autorizar. Nos comprometemos a usar esses detalhes só na nossa busca (que pode ser nos contatos ou em toda a rede). Nos comprometemos com a privacidade. Só depende do usuário. Quem quiser, coloca.

--
Adilson de Almeida Jr
adilson@ideatree.com.br
adilson.almeida@usp.br

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A tábua das leis não-escritas da internet

A tábua das leis não-escritas da internet

domingo, 3 de janeiro de 2010 18:37
por
Fred Leal

A internet deu origem a pequenas leis involuntárias que regem as discussões – sejam elas via e-mail, fórum ou blog. O jornal inglês Telegraph compilou algumas das principais, que você confere abaixo.

 # LEI DE GODWIN – Resultado de anos de discussões exacerbadas em fóruns e listas de discussão, foi criada por Mike Godwin em 1990 na Usenet, e prevê que "à medida que uma discussão se prolonga, a probabilidade de uma comparação envolvendo nazistas ou Hitler chega a 1".

 

# LEI DE POE – A regra criada por Nathan Poe em 2005 afirma que "sem um emoticon ou outra clara exibição de humor, é impossível criar uma paródia fundamentalista sem que outras pessoas a tomem como verdade". Foi criada em debate sobre criacionismo em um fórum cristão.

 

# REGRA 34 – A Regra 34 revela que "se algo existe, tem pornografia disso" – um tema recorrente na internet, afinal. Entre os exemplos mais comuns estão os hentais (desenhos eróticos japoneses) e os ensaios de Marge Simpson e Jessica Rabbit na Playboy americana.

 

# LEI DE DANTH – Talvez a mais simples e objetiva de todas, dizendo que "se você precisa insistir que venceu uma discussão na internet, é porque você provavelmente perdeu feio".

 

# LEI DE SKITT – "Todo post criado para corrigir erros em outro post também contém um erro", prega a lei criada para criticar a chama os defensores das regras gramaticais. Também pode significar que "a probabilidade de haver um erro em um post é diretamente proporcional ao constrangimento que ele causa".

 

# LEI DE SCOPIE – Criada para contemplar discussões científicas em fóruns, esta lei afirma que "qualquer citação proveniente de fontes não-confiáveis faz com que o argumento seja automaticamente eliminado".

 

# LEI DE POMMER – Bastante irônica, a lei afirma que "a opinião de uma pessoa pode mudar a partir do que ela lê na internet, saindo de nenhuma opinião para chegar em uma opinião errada".

 

# LEI DE DeMYER – São quatro, ao todo, mas a principal delas diz que "todo argumento composto basicamente de citações pode ser tranquilamente ignorado".

 

# LEI DE COHEN – A mais confusa, diz que "quem determina as regras que dizem que 'quem determina as regras perdeu a discussão', perdeu a discussão" – uma meta-lei.

 

# LEI DA EXCLAMAÇÃO – "Quanto maior o número de exclamações em uma mensagem, maior a chance dela ser mentira", diz a lei baseada em Discworld, obra do escritor Terry Pratchett.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Games para quem precisa de Games

Games para quem precisa de games

Luta, guerra, esportes e até os Beatles animam o Natal de quem não consegue largar o controle nem na hora da ceia

domingo, 13 de dezembro de 2009 21:05
por
Redação Link

Se tem um produto que baixou de preço nos últimos tempos, esse produto foi o videogame. Os consoles de última geração nunca estiveram tão acessíveis no Brasil. Mesmo o Wii, campeão dos preços altos, sofreu uma redução de preço drástica, de 50% em relação ao preço de lançamento. A mesma tendência de queda aconteceu com o Xbox 360 vendido oficialmente no País e com o PlayStation 3. Confira a seleção dos melhores games. e escolha qual deles, e qual videogame, você vai levar para casa.

 

Cuidado para não jogar dinheiro fora!
Os consoles de última geração estão em sua melhor fase, mas cada um deles tem foco específico para cada tipo de jogador. Se você quer navegar pela internet a partir do sofá ou se faz questão de ver filmes em Blu-ray, fique com o PlayStation 3, console da Sony. Se você quer jogar em redes online, a melhor opção é o Xbox 360, da Microsoft. E, finalmente, se a ideia for jogar de forma descompromissada em família, o Wii, da Nintendo, é a melhor pedida. De qualquer forma, o melhor jeito de escolher é experimentar cada console antes de decidir. E veja os títulos que cada um deles oferece – muitos são exclusivos.

 

# GAME É PARA CRIANÇA? – Hoje, a idade média do jogador é de 30 anos. Por isso, cuidado para não comprar um jogo inadequado para os pequenos. Todos os jogos no Brasil têm de vir com classificação etária.

# QUANTOS CONTROLES? – Compre ao menos um extra. Os consoles permitem até quatro jogadores simultaneamente.

# VIDEOGAME OU BLU-RAY? – O PS3 é o melhor aparelho de vídeo em alta definição do mercado. E ainda acessa a internet e roda bons jogos. Contra: não lê DVD da área 4, do Brasil.

 

CALL OF DUTY 4: MODERN WARFARE 2 | COMBATE ATÉ NAS FAVELAS
PREÇO | R$ 230 (Xbox 360)
DETALHES | Jogo de tiro de maior sucesso da história. O jogador é um soldado de um grupo de operações especiais altamente treinado. Para Xbox 360, PS3 e PC. Violento, mas é um presentão para fãs de games.

 

BEATLES: ROCK BAND | AMOR É TUDO DE QUE VOCÊ PRECISA
PREÇO | R$ 250
DETALHES | O game mais aguardado do ano trouxe 45 clássicos da maior banda de todos os tempos, que podem ser tocados com acessórios de outros jogos da franquia. Boa música para toda a família.

 

WII SPORTS RESORT | MEXA-SE COM PRECISÃO MILIMÉTRICA
PREÇO | R$ 400 (com dois acessórios extras)
DETALHES | O jogo custa caro, mas vem com um par de acessórios que aumentam muito a sensibilidade de detecção de movimento do Wii. É o game mais divertido do ano lançado para o console.

 

SCRIBBLENAUTS | ESCREVA E MATERIALIZE O QUE QUISER
PREÇO | R$ 160
DETALHES | O game para Nintendo DS estimula a imaginação e exercita o vocabulário. Para progredir, o jogador precisa escrever, em português, inglês ou espanhol, o nome dos objetos que quer ver na tela.

 

KATAMARI FOREVER | RECOLHA O QUE ENCONTRAR COM A BOLINHA
PREÇO | R$ 260
DETALHES | A série de jogos Katamari Damacy é estranha, insana e engraçada. O tributo máximo à série foi lançado para PS3 e coloca você recolhendo de clipes de papel a continentes e galáxias.

 

HALO 3: ODST | O OUTRO LADO DA GUERRA CONTRA OS ALIENÍGENAS
PREÇO | R$ 160
DETALHES | Enquanto o herói Master Chief luta contra os Covenant, um pelotão de elite das forças humanas tenta libertar uma metrópole infestada de aliens. Roteiro genial e ação de primeira no Xbox 360.

 

STREET FIGHTER IV | UM CLÁSSICO RENASCIDO
PREÇO | R$ 250
DETALHES | Lançado para Xbox 360, PS3 e PC (mais barato, custa R$ 90), o game da Capcom é o expoente máximo dos jogos de luta. Todos os personagens clássicos estão de volta em combates empolgantes.

 

WII | DIVERSÃO EM FAMÍLIA
PREÇO | R$ 1.000
DETALHES | O Nintendo Wii não é o console mais avançado do mercado, mas ele compensa a falta de recursos e de alta resolução com uma boa dose de inventividade. Seus controles detectam movimento e os games são divertidos, voltados para a família e também para os jogadores mais novinhos.

 

XBOX 360 | MÁQUINA DE JOGAR
PREÇO | R$ 1.500
DETALHES | O videogame da Microsoft não conseguiu a segunda colocação do mercado à toa. Com excelentes jogos, bons títulos exclusivos e uma excepcional habilidade de rodar vídeos, músicas e acessar fotos direto do PC, é uma central de entretenimento completa. Vem com dois jogos e cabo HDMI.

 

PLAYSTATION 3 | REPAGINADO
PREÇO | R$ 1.500
DETALHES | A Sony apanhou, mas finalmente conseguiu transformar o PS3 em um console mais acessível. Com uma boa oferta de jogos e bons recursos multimídia, o atributo matador do PS3 é a capacidade de rodar filmes em Blu-ray com a mesma competência que os melhores aparelhos do mercado.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Recuperação econômica, Ibovespa aos 80 mil: as previsões para 2010 do Citi

Recuperação econômica, Ibovespa aos 80 mil: as previsões para 2010 do Citi

Por: Equipe InfoMoney
10/11/09 - 21h05
InfoMoney

SÃO PAULO - Desemprego em alta, prejuízos corporativos, recessão: lá fora, o fim da crise ainda parece estar em um horizonte distante - embora o clima seja consideravelmente melhor. Simultaneamente, as principais bolsas latino-americanas registram sua melhor performance há anos.

O Ibovespa contabiliza em 2009 uma valorização de mais de 76%. O Merval, principal índice da bolsa argentina, acumula ganhos de nada menos que 110%. Performances semelhantes dão o tom das bolsas no México, Chile e Peru.

Os pessimistas temem um forte movimento de realização por vir; os ainda mais pessimistas especulam sobre uma possível bolha no continente. Mas tais opiniões são descartadas pelo Citi, cuja equipe de análise aposta em um cenário justamente oposto: a manutenção de ganhos pelas bolsas da América Latina em 2010, ainda que em um ritmo mais moderado.

Eleições e Fed no foco dos investidores
À medida que 2009 se aproxima de seu fim, projeções já começam a ser delineadas para o ano que se põe à frente. E no caso da América Latina, uma principal variável em 2010 será as eleições presidenciais, que dominarão a agenda de países como Chile, Colômbia, Peru e Brasil.

Não faz muito tempo que eleições no continente despertavam grande temor entre os investidores. Na visão do Citi, no entanto, são quase águas passadas. "Certa volatilidade é esperada, mas um risco em longo prazo ao redor de tais eleições é baixo", afirma a equipe do banco.

Nos EUA, todos os olhos estarão voltados ao Federal Reserve. Quando a autoridade monetária voltará a implementar uma política de aperto monetário no país é hoje uma das questões mais importantes que pairam sobre analistas e investidores. O palpite do Citi é para meados de 2010.

E como não poderia deixar de ser, os mercados deverão reagir a tal elevação na Fed Funds Rate. Mas para os analistas do Citi, não por muito tempo. "As ações devem sofrer um leve ajuste frente à ação do Fed, mas o rali deve ser retomado no decorrer do ciclo de aperto monetário", prevê o banco.

Brasil se destaca entre projeções otimistas...
O tom otimista do relatório formulado pelo Citi estende-se às projeções macroeconômicas. As perspectivas dos analistas consistem em um crescimento de 3,1% em 2010 para o PIB (Produto Interno Bruto) mundial, puxado principalmente pelos países emergentes, que deverão registrar uma expansão de 5,6%.

A América Latina não fica de fora de tal panorama de recuperação. De acordo com os cálculos do Citi, o continente deverá crescer 4,2% em 2010, em uma performance influenciada principalmente pelas economias peruana e brasileira: ambas deverão reportar crescimento de mais de 5% no ano que vem.

Economia em ascensão significa, salvo raras exceções, bons resultados corporativos. De fato, a equipe do Citi espera que a média do lucro por papel no mercado de ações latino-americano cresça 27,5% em 2010. E mais uma vez, o Brasil é destaque: por aqui, tal expansão deverá ser de 32,5%.

...e segue no posto de top pick
Desse modo, o Citi mantém o Brasil como sua top pick entre os mercados do continente, ainda que os ganhos da bolsa brasileira devam ser mais modestos em 2010 do que vem sendo nesse ano. A estimativa do Citi é de que o Ibovespa, seu principal índice, conclua o ano que vem na casa dos 80.000 pontos.

Do subprime aos emergentes: qual o próximo alvo das bolhas de liquidez?

Do subprime aos emergentes: qual o próximo alvo das bolhas de liquidez?

Por: Equipe InfoMoney
11/11/09 - 11h40
InfoMoney

SÃO PAULO - Uma sequência de bolhas, causadas pelo excesso de liquidez: assim Patrick Artus, analista do banco francês Natixis, vê os fluxos de capital no mercado internacional nos últimos seis anos.

Liquidez não é negativa, mas seu excesso sim. Combinada a um cenário macroeconômico internacional de subutilização de capacidade, definido por altos níveis de investimento e baixas taxas de ocupação, o resultado é a formação de bolhas nos preços de ativos.

A primeira foi a do mercado imobiliário norte-americano, que ocasionou - e ainda ocasiona - uma crise de proporções históricas tanto nas praças financeiras quanto nas principais economias do mundo. Se a liquidez segue excessiva - tal é a tese de Artus -, é apenas questão de tempo para que uma nova bolha surja. Mas aonde?

Dos EUA aos emergentes
Entre 2003 e 2007, o excesso de liquidez no mundo foi absorvido pelo mercado imobiliário dos EUA. Bancos expandiram a concessão de empréstimos no setor, resultando em uma disparada nos preços dos imóveis. A bolha estourou em 2007 e levou consigo instituições de peso e economias, emergentes e desenvolvidas.

Frente às turbulências, os bancos centrais das economias desenvolvidas reduziram suas taxas básicas de juros a mínimas históricas, ocasionando um forte redirecionamento dos fluxos de capital aos países emergentes. O resultado foi uma expressiva alta nos preços dos ativos em tais mercados.

Os números do Ibovespa confirmam a tese de Artus. O principal índice da bolsa brasileira vem subindo mais de 76% neste ano de 2009, desempenho em muito superior ao registrado nas praças de Wall Street e da Europa.

Soma-se a esta fórmula mais um componente: a atuação dos bancos centrais de países emergentes, que para impedir uma maior depreciação do dólar frente às suas moedas, vem bancando uma acumulação maciça de reservas nacionais. "Tal circulação de capital posiciona a bolha em tais mercados", afirma Artus.

Dos emergentes para aonde?
Desta forma, Artus acredita que, atualmente, a bolha esteja localizada em commodities, ativos e títulos governamentais de países emergentes. Entretanto, o analista prevê um novo reposicionamento, dado "uma constatação de que os valuations em tais mercados estão muito altos".

Outro fator citado por Artus é a de que medidas sejam adotadas por países emergentes para que o ingresso de capitais seja controlado. O Brasil foi o primeiro a tomar tal decisão: em outubro deste ano, o capital estrangeiro aplicado em renda fixa e ações passou a ser taxado em 2% com o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Assim, Artus traça dois possíveis cenários de redirecionamento dos fluxos de capital no mundo. O primeiro prevê uma bolha nos preços de commodities, uma vez que os investidores podem enxergar tal mercado como uma boa forma de se manterem atrelados às economias emergentes.

"Mas se, por sua vez, os preços de commodities também se mostrarem excessivamente altos, os investidores poderão realocar suas posições em direção a títulos mais baratos nos EUA e na Europa, onde uma nova bolha poderia, então, surgir", prevê o analista do banco Natixis.

Bolha no Brasil: possibilidade preocupa analistas e dita ações do governo

Bolha no Brasil: possibilidade preocupa analistas e dita ações do governo

Por: Giulia Santos Camillo
12/11/09 - 12h07
InfoMoney

SÃO PAULO - O mundo está vivendo a mãe de todas as bolhas de carry trade que, quando estourar, vai levar ao maior colapso coordenado de todos os tempos.

Permeada pelo pessimismo característico de Nouriel Roubini, professor da Universidade de Nova York e CEO (Chief Economist Officer) do RGE Monitor, a previsão levou os olhos do mercado novamente para a possibilidade de formação de uma bolha a partir do rali nos ativos de risco de mercados emergentes.

As projeções do professor partem do pressuposto de que os investidores estão tomando empréstimos em dólares para aplicação em outros mercados, visando o ganho referente ao diferencial entre as taxas de juros - operação conhecida como carry trade.

A bolha no Brasil
Como era de se esperar, o Brasil está entre os mercados que têm recebido as aplicações estrangeiras. Não à toa, o fluxo de recursos internacionais acumulado entre janeiro e outubro está positivo em aproximadamente R$ 19 bilhões. O volume médio diário de negócios atingiu R$ 7,346 bilhões no mês passado, bem acima do registrado em outubro de 2008, de R$ 5,32 bilhões. O Ibovespa subiu 63,4% nos 10 primeiros meses do ano; o dólar caiu 25% frente ao real.

Desde o começo do rali na bolsa paulista, é clara a noção de que a retomada foi conduzida pelos investidores estrangeiros. Caso a projeção de Roubini se concretize e a alta seja realmente uma bolha, o mercado - brasileiro e mundial - enfrentará uma quebra forte dentro de seis meses ou um ano.

De acordo com Eduardo Miziara, analista de renda variável do BNP Paribas, os números acumulados no ano representam motivos de preocupação. "Mesmo que o governo e economistas, quando alertados sobre esse tema, afirmem (com boa dose de razão) que o Brasil é vítima do próprio sucesso, não podemos ignorar que hoje o País é um dos principais (se não for o maior) alvos dos recursos de carry trade", afirma.

Miziara completa informando que "esse capital não é dos mais saudáveis". Segundo ele, a China controla o câmbio, a Índia tem restrições à entrada de capitais, e o Brasil é o mais liberal entre os membros do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). "Isso atrai os fluxos de capitais, mas deixa vulnerabilidades".

O G-20, o IOF e a bolha
A percepção de que há algo errado com o fluxo de capitais internacionais também permeou a reunião do G-20 no último fim de semana, embora nada concreto tenha sido decidido para conter o desequilíbrio do fluxo dos países desenvolvidos em direção aos emergentes. "Isso não quer dizer que nada será feito nesse sentido, mas apenas que as ações serão provavelmente independentes", afirma Mauro Rached, chefe de análise macroeconômica do BNP Paribas.

"Depois que o Brasil impôs o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre investimento estrangeiro em portfólios financeiros, cresceram as discussões sobre as formas de conter tais fluxos. Países como Coreia, Tailândia, Turquia, Colômbia e até a deficitária África do Sul têm atuado de alguma forma para tentar atenuar os efeitos do ingresso de capitais sobre as suas moedas e as suas políticas monetárias", completa.

Segundo Rached, é necessário monitorar os desdobramentos desse assunto, já que rumores sobre uma ação coordenada em relação aos fluxos de capital poderia ter impacto negativo sobre os ativos de mercados emergentes - tanto ações quanto moeda. Por enquanto, ao menos em relação ao Brasil, é certo que as medidas devem ser levadas a sério, já que a preocupação acerca de uma bolha é comum tanto a investidores e analistas quanto a autoridades monetárias.

Na última terça-feira (10), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a taxação de IOF visa reduzir riscos futuros de bolhas e desvalorização ainda maior do dólar. "O que não queremos é que haja exagero de aplicações. Garantimos que não haverá bolhas na bolsa e nem excesso de valorização da moeda brasileira", assegurou.

Fundamentos, não bolhas
Há, por outro lado, aqueles que ainda apostam que o rali é inflado pelos fundamentos e não representa uma bolha. Entre eles, está o estrategista Jeffrey Palma, do banco UBS. "Nós não estamos no campo da 'bolha de ativos'. Na nossa visão, o rali nos ativos de risco tem sido justificado, baseado em uma precificação de recuperação do colapso do sistema financeiro, confiança na recuperação econômica e normalização dos valuations das ações de níveis pressionados".

Junto com Palma alinha-se o investidor Jim Rogers, conhecido por ter previsto o início do rali das commodities, em 1999. Segundo ele, Nouriel Roubini está errado em relação à ameaça de bolha nos mercados emergentes. Ao ser questionado sobre a questão, em entrevista à rede de televisão Bloomberg, Rogers respondeu com outra pergunta: "que bolha?", completando que "está claro que o Sr. Roubini não fez sua tarefa, de novo".

Especificamente em relação ao Brasil, no final de outubro, a MCM já havia manifestado a opinião de que não há bolhas no mercado de ações. Na última terça-feira, foi a vez do Citigroup dizer o mesmo, escolhendo o País como sua top pick entre os mercados latino-americanos. A estimativa do banco é de que o Ibovespa chegue a 80 mil pontos ao final de 2010.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

reversão

Tempo de colocar os óculos e olhar com cautela as opções em bolsa

Por: Gustavo Kahil
26/08/09 - 14h09
InfoMoney

SÃO PAULO - Como acertar em cheio a ação que vai subir? Esta é a pergunta que tira o sono - e tira mesmo - de analistas e investidores todos os dias. Porém a sorte também é uma variável que, às vezes, pode levar um investidor a nomear-se o novo Warren Buffett, um exímio stock-picker.

O dia 27 de outubro de 2008 marcou a menor pontuação do Ibovespa desde o início da crise financeira internacional. A escolha de qualquer papel neste dia (salvo algumas exceções como Telesp, Telemar e Brasil Telecom) representou uma decisão que certamente trouxe grande valorização.

Cerca de dez meses depois, o índice quase alcançou o patamar dos 58 mil pontos, o que representa uma valorização próxima de 100%, e muito antes de qualquer definição de longo prazo. Mas este olhar para o investimento em bolsa é míope. Grande parte do crescimento do índice ao longo do período deve-se ao retorno dos recursos à renda variável.

Em 2009, o saldo dos investidores da movimentação dos investidores estrangeiros está positivo em R$ 14,067 bilhões, muito diferente dos saldos negativos de R$ 24,629 bilhões vistos em 2008 e de R$ 4,235 bilhões em 2009. Muitos fatores explicam o fôlego da bolsa neste período.

A agulha no Ibovespa
Praticamente todas ações subiram. Mas, mesmo assim, há sempre espaço para um prêmio ao investidor que pesquisou bem. "Como o mercado está mais dinâmico, o acompanhamento exige cada vez mais técnica para que o investidor não caia no comum", avalia André Paes, gestor de renda variável da Infinity Asset. "A carona já foi dada, agora é mais para especialistas", explica.

Paes, na verdade, não recomenda a aplicação direta em bolsa. Para ele, a ideia mais sensata é a de confiar para os gestores a decisão de escolha dos papéis. "Nunca aconselho o investidor pessoa física a comprar de forma direta. Ele não tem ferramentas para fazer uma análise fundamentalista correta e chegar ao stock picking", diz. Indagado sobre a sua estratégia, Paes afirma que já tem revisto posições.

Desempenho entre 27/10/08 e 24/08/09
Fonte: InfoMoney
"Estivemos bem comprados no setor de varejo e agora diminuímos porque valorizou muito. Ficamos um pouco mais conservadores. Diminuímos bem bancos também. Voltamos um pouco mais para a posição nas empresas que estão com valuation atraentes", diz Paes. Leonardo Boguszewski, analista de renda variável da Paraná Banco Fundos, também lembra que realmente não há como acertar no alvo sem esforço.

Mais trabalho
"O investidor hoje tem que tomar cuidado para buscar também este movimento na alta. Precisa simplesmente fazer a lição de casa, ler e se informar sobre a empresa na qual tem interesse porque certamente ainda há coisa boa na bolsa. Mas só com muita leitura", diz. Adepto do Buy & Hold, Boguszewski diz que as revisões que fez em carteira foram apenas para adicionar papéis.

"O pessoal aqui está trabalhando em dobro para achar empresas baratas. Mas não há muitas empresas que estão muito acima do valor justo, talvez as expectativas estejam um pouco antecipadas. Mas é natural. Sempre estaremos alocados em bolsa. O upside vai diminuir. Não temos mais como falar de alta de 100% a 200%", diz. Recente relatório publicado pelo Citigroup também aponta as vantagens do stock-picking.

De acordo com o estudo, na análise iniciada dos anos 90, até 2008, a estratégia do stock-picking ganha na maioria dos anos. Entretanto, tal realidade só funciona quando a volatilidade é pequena, o que não aconteceu durante os anos de 1999-2000 e 2008. "Um bom stock-picking gera o melhor retorno absoluto no médio prazo quando a volatilidade das ações e as correlações caem", explica.

Desta forma, para ficar acima da média do mercado, agora, só com uma análise profunda.